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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Gestaltismo Parte 3


Quando mudei de colégio pela primeira vez, foi um choque pra mim
lá no outro, onde estudei a infância inteira ,eu era rei,
bem todo menino é um rei já dizia a canção,
mas me sentia rei por não ser anônimo,
não era simplesmente mais um ,eu era queridinho das professoras
os colega sempre me escolhiam para as brincadeiras,
todos me conheciam .
Quando passei pra quinta serie a coisa ficou diferente,
colégio grande, muita gente, eu recém chegado
era mais um na multidão.

O colégio que fiz o meu primeiro grau ,
fica no fim da rua onde morei grande parte da minha vida
e essa era a única vantagem que eu via nele
dava pra ouvir de casa a sirene de chamada
e eu só saia quando tocava
Dois dias na semana tinha educação física pela manha
e fazíamos entre os alunos desse turno, que eram de 1a a 4a serie
os meninos da turma da tarde que faziam educação física nesse turno
(por serem mais altos e mais velhos)
sempre zoavam os que estudavam pela manha
eu também perto do fim do ano já enturmado aprontei das minhas.

Vi Marilia pela primeira vez numa dessas aulas,
ela era da quarta serie, morena ,parecendo uma indiana ,
cabelos longos e negros , olhos apertados estilo oriental que
lhe dava uma beleza exótica.
Foi a primeira vez que uma menina mexia assim comigo,
eu precisava conhece-la ,eu acordava cedo só pra ficar na porta de casa
esperando ela passar , passei até a gosta da maldita educação física
seguia seus passos com meu olhar e coração disparado.
mas não tinha coragem de falar com ela ,
por mais que eu ensaiasse as palavras.

o ano letivo acabou e nada.
Mas uma coisa me consolava,
ano seguinte ela estaria na quinta serie estudando a tarde
e eu teria mais oportunidades pra chegar ate ela.
Nesse ano as ferias demoraram mais que nos anteriores ,
por causa da minha ansiedade e da expectativa de rever Marilia
e finalmente conversar com ela , conhece-la e quem sabe mais...
Primeiro dia de aula, lá estava eu na porta de casa ,
olhar atento aos que passavam
não desviava a atenção nem mesmo ao cumprimentar os velhos colegas
que me chamavam pra descer junto.
A sirene tocou , ninguém mais descia, fui pra escola desolado,
ela ter ido por outro caminho era uma possibilidade a considerar
No intervalo passei em todas as quatro salas da quinta serie
e nada, definitivamente ela não estava na escola,
mas era comum não se ir a escola nos primeiros dias de aula
essa ansiedade durou a semana toda.
Foi quando encontrei uma colega dela ,do ano anterior.
Venci a timidez e fui perguntar por Marilia
a ansiedade foi trocada por frustração
quando ela me disse que Marilia não estudava mais lá.
Nunca mais vi ou ouvir falar dela
E ela nunca saberá que um dia um garoto tímido
Acordou mais cedo só pra ver ela passar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gestaltismo Parte 2

Gestaltismo Parte 2

Criei coragem e chamei ela pra dançar, uma negativa ali,
todo mundo olhando , seria prato cheio pros colegas me zoarem,
Mas eu sabia que ela aceitaria , os sinais diziam isso,
esse jogo de sinais aconteceu varias outras vezes,
uma cutucada com o cotovelo na colega, um cochicho no ouvido ,
uma olhada discreta flagrada ,seguida de um sorriso manhoso .
Os primeiro acordes da musica era a senha pra eu ir em sua direção ,
inspirei fundo, triangulei o alvo e fui .
Perguntei se queria dançar comigo, não esqueço a musica,
No more lonely nights , Paul McCartney
Ela aceitou ,dançamos aquela e mais outras depois ,
No final da festinha ainda ficamos de papo nos degraus do posto medico
Isso até a noitinha , quando andamos em direção a sua casa,
Que por sorte minha era um caminho com pouca luz.
Me despedi no começo da ladeira, não seria prudente ir mais perto,
ela tinha irmãos “ciumentos”
Ficamos assim meio nos olhando ,
meio sem saber o que viria depois,
meio sem jeito...
E ao dar o tradicional beijinho de despedida ,
de um lado e do outro do rosto ,
parei no meio do caminho e nos beijamos na boca desengonçadamente ,
isso inaugurou uma nova etapa em minha vida ,
foi meu primeiro beijo na boca .
Lembro que foi num sábado, no bequinho descendo para a Quadra D ,
era 1984 e eu tinha doze anos e um coração disparado de ansiedade
pra que chegasse o domingo e nos encontrássemos de novo.


Muitos outros beijos, encontros , desencontros, romances,
foras e “dentro” ,Foi nublando as imagens e emoções desse momento,
isso ficou bem perceptível quando eu cruzei com ela recentemente ,
não me disse nada ,não dedicamos nem um segundo de atenção ,
nem um olhar ,nada.
Não significamos nada um pro outro hoje e isso não me incomodou.
Contrariando a máxima que a primeira impressão é a que fica
Acho que a ultima é que marca realmente ,
pois não me lembro ( emocionalmente ) claramente do meu primeiro beijo
Mas sinto ainda cada toque, tenro e malicioso dos últimos.

SiC.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Gestaltismo Parte I


Quando eu tinha uns oito ou nove anos não lembro exatamente, eu não tinha uma noção exata de tempo, a passagem do tempo pra mim era identificada pelas datas festivas tradicionais, tipo São João ,Natal , Dia das mães.

Normalmente por eventos explorados pela publicidade na TV , logo eu sabia ,por essa observação ,mais ou menos em que período do ano eu estava.
Não ter noção de tempo gerava certa ansiedade, eu não sabia exatamente quanto tempo faltava pras férias escolares e isso atormentava.
Quando chegava próximo do natal a TV já anunciava ,era figuras do papai Noel, aquelas musiquinhas típicas, arvores coloridas e tudo mais...
Não tinha como ter duvida,era o Natal chegando, presentes a vista e a preocupação se eu tinha me comportado bem durante o ano,
eu sempre achava que sim, mas era uma opinião meia controversa.

Era tradição: sair pra comprar roupa nova, a ceia, dormir tarde e no dia seguinte se exibir aos amigos com os presentes ganhos.
Mas nem era isso que me interessava, pra mim o mais importante
era que Natal sinalizava as férias, ah! finalmente as férias escolares,
não que houvesse grandes mudanças na minha rotina, mas não ir a escola,acordar tarde, perambular na rua sem preocupação com tempo, horas ou tarefas ,isso era ótimo, sem contar poder ficar até tarde brincando na rua com os amigos, picula, esconde, garrafão, bate lata ,pipas e outras tantas brincadeiras que nem lembro mais.
Apesar de morar na capital ,o meu bairro era afastado do centro e isso me propiciou uma infância com características de menino de interior, andava no mato, pegava passarinho, tomava banho e pescava no rio,

eu adorava as férias.


A falta de noção de tempo também nas férias me deixava meio ansioso ,
assim como eu esperava pra ela chegar, o fim dela poderia me pegar de surpresa
e as propagandas na TV não sinalizavam bem quando isso poderia acontecer ,
o meu marcador pra isso era a própria natureza.
As primeiras chuvas de março ,os vôos das formigas tanajuras e as cigarras cantando ,alias isso é que me deixava mais triste ,o canto das cigarras,
era a trombeta do apocalipse do fim das férias pra mim.


Estranhamente hoje ( mês de julho) ouvir uma cigarra cantando e notei como isso mexeu comigo ,me deixou ansioso e meio triste , como se anunciasse o fim de um período bom, a mesma sensaçao de fim das ferias da infancia , isso me fez pensar como isso é incrivel , somos influenciando por pequenos reflexos condicionados que nem notamos que temos e como esses reflexos nos limitam,bloqueiam, transtorna e tambem impulsiona.
Enquantos algumas "cigarras" cantam vou tentando , mesmo ansioso ,curtindo minhas ferias nao mais de um mês , mas de mil e muitos dias e noites.

SiC.